segunda-feira, 8 de setembro de 2008

-->Memórias Póstumas de Brás Cubas


O Realismo atrai vários escritores, alguns antes ligados ao romantismo. O marco do realismo no Brasil foi a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, que faz uma análise crítica da sociedade da época de 1881.

-->Enredo:

É uma narrativa em primeira pessoa, cujo narrador é um morto que narra a história com total liberdade. Essa condição do narrador permite-lhe analisar com ironia o comportamento humano e avaliar com auto-ironia suas próprias atitudes. Ao longo da narração mostra vários episódios: sua paixão juvenil por Marcela, que amou durante quinze meses e onze contos de réis; sua amizade com o filósofo maluco Quincas Borba; os planos frustrados de seu pai em querer encaminhá-lo para a política; seus amores clandestinos com Virgília, esposa de seu amigo Lobo Neves. A ordem da narrativa não é linear, pois se desenvolve de acordo com os pensamentos de Brás Cubas.O balanço final de Brás Cubas sobre a existência é de pessimismo, pois depois de uma vida que resulta em fatos negativos, em fracassos, ele afirma ter tido um pequeno saldo; que foi o de não possuir filhos e não ter transmitido a nenhuma criatura o legado da miséria.

-->Primeiro Romance escrito por Machado


Publicado em 1872, Ressurreição foi uma obra bem recebida pelo público e pela crítica da época. Machado de Assis ainda vivia quando foi lançada sua segunda edição (1905). Nesse romance estão os traços de sua maneira de escrever definitiva: a penetração psicológica, a preocupação da análise, o monólogo interior, o desenvolvimento alinear da intriga, a narrativa complexa.

-->Enredo:

Conta a história do Dr. Félix, um solteirão de 36 anos que, apesar de não acreditar no amor, se apaixona por uma viúva, a bela Lívia, sendo emocionalmente instável e sacudido a todo momento por impulsões de ciúme na conquista de Lívia. Pode-se perceber que o romance é atribulado devido ao temperamento desconfiado e inseguro de Félix.Cansada do comportamento de Félix, Lívia decide tornar definitiva a separação.

-->Suas obras

Desencantos, comédia (1861);
Queda que as mulheres têm para os tolos, sátira em prosa (1861);
Teatro, volume que se compõe de duas comédias, O protocolo e O caminho da porta (1863);
Quase ministro, comédia (s.d.);
Crisálidas, poesia (1864);
Os deuses de casaca, comédia (1866);
Falenas, poesia (1870);
Contos fluminenses (1870);
Ressurreição, romance (1872);
Histórias da meia-noite, contos (1873);
A mão e a luva, romance (1874);
Americanas, poesia (1875);
Helena, romance (1876);
Iaiá Garcia, romance (1878);
Memórias póstumas de Brás Cubas, romance (1881);
Tu, só tu, puro amor, comédia (1881);
Papéis avulsos, contos (1882);
Histórias sem data (1884);
Quincas Borba, romance (1891);
Várias histórias (1896);
Páginas recolhidas, contos, ensaios, teatro (1899);
Dom Casmurro, romance (1899);
Poesias completas (1901);
Esaú e Jacó, romance (1904);
Relíquias da casa velha, contos, crítica, teatro (1906);
Memorial de Aires, romance (1908).
Publicações póstumas: Crítica (1910);
Outras relíquias, contos, crítica, teatro (1932);
Crônicas, quatro volumes (1937) ;
Correspondência (1932);
Crítica literária (1937);
Páginas escolhidas (1921);
Casa velha (1944).
A obra de Machado de Assis foi, em vida do Autor, editada pela Livraria Garnier, desde 1869; em 1936, W. M. Jackson, do Rio de Janeiro, publicou as Obras completas, em 31 volumes. Raimundo Magalhães Júnior organizou e publicou, pela Civilização Brasileira, os seguintes volumes de Machado de Assis: Contos e crônicas (1958); Contos esparsos (1966); Contos esquecidos (1966); Contos recolhidos (1966); Contos avulsos (1966); Contos sem data (1966); Crônicas de Lélio (1966); Diálogos e reflexões de um relojoeiro (1966). Em 1975, a Comissão Machado de Assis, instituída pelo Ministério da Educação e Cultura e encabeçada pelo presidente da Academia Brasileira de Letras, organizou e publicou, também pela Civilização Brasileira, as Edições críticas de obras de Machado de Assis, em 15 volumes, reunindo contos, romances e poesias desse escritor máximo da literatura brasileira.

-->As duas fases de Machado de Assis

O que terá acontecido a Machado de Assis para mudar tão radicalmente o modo de escrever?

Podemos dividir as obras de Machado de Assis em duas fases:
-->Na primeira fase (fase romântica) os personagens de suas obras possuem características
românticas, sendo o amor e os relacionamentos amorosos os principais temas de seus livros. Desta fase podemos destacar as seguintes obras: Ressurreição (1872), seu primeiro livro, A Mão e a Luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878).
-->Na Segunda Fase ( fase realista ), Machado de Assis abre espaços para as questões psicológicas dos personagens. É a fase em que o autor retrata muito bem as características do
realismo literário. Machado de Assis faz uma análise profunda e realista do ser humano, destacando suas vontades, necessidades, defeitos e qualidades. Nesta fase destaca-se as seguintes obras: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1892), Dom Casmurro (1900) e Memorial de Aires (1908).

-->Biografia de Joaquim Maria Machado de Assis


Romancista, cronista, poeta e teatrólogo, Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839, no morro do Livramento. A falta de recursos impediu que realizasse estudos regulares, freqüentando apenas o primário numa escola em São Cristóvão. Aos 16 anos de idade se iniciou na vida literária, publicando ‘Ela’, um poema, na ‘Marmota Fluminense’, da qual se tornou colaborador regular. A partir daí, passou a escrever também para o ‘Diário do Rio de Janeiro’, a ‘Semana Ilustrada’ e outros.Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais. A carreira literária de Machado de Assis se firmou graças a seus contos e romances, dotados de uma aguda ironia e uma visão pessimista da existência. Suas obras, como ‘Helena’, ‘A Mão e a Luva’, ‘Esaú e Jacó’, ‘Dom Casmurro’ e ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’ tornaram-se marcos da literatura brasileira. Paralelamente à sua carreira literária, Machado de Assis ocupou diversos cargos enquanto funcionário público chegando, entre outras coisas, ao posto de Diretor-geral do Ministério da Viação. Foi também um dos fundadores e o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, em 1896. Machado de Assis faleceu em 29 de setembro de 1908, no Rio de Janeiro, quase cego e muito doente, prostrado pela perda da esposa, que morreu em 1904.